O Governo do Rio Grande do Sul (RS) apresentou uma proposta inovadora para enfrentar as dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores rurais do estado. O governador Eduardo Leite, após uma viagem a Brasília e reuniões com entidades do setor agropecuário, sugeriu o uso do Fundo Social para a securitização das dívidas dos agricultores. A proposta tem como objetivo aliviar o passivo financeiro dos produtores, que se acumula devido a perdas provocadas por desastres climáticos nos últimos anos. A ideia é utilizar os recursos do Fundo Social para viabilizar financeiramente a repactuação das dívidas, sem gerar custos à União, utilizando uma solução que busca atender aos desafios financeiros de maneira eficaz e sustentável.
A situação financeira dos produtores rurais do Rio Grande do Sul se agravou ao longo dos últimos anos, em grande parte devido às perdas climáticas. O estado tem sido severamente afetado por eventos climáticos adversos, resultando em prejuízos que superam R$ 120 bilhões de 2002 a 2023, um valor significativamente maior que o de outros estados brasileiros. A proposta do governo visa oferecer uma solução prática e eficiente, utilizando os recursos do Fundo Social, que possui um saldo de R$ 24 bilhões, para garantir o pagamento das dívidas dos produtores. Essa medida busca, ainda, criar uma alternativa viável de financiamento sem sobrecarregar o orçamento federal.
Uma das abordagens mais destacadas na proposta é a criação de dois Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FDICs). O primeiro fundo seria voltado para a compra dos financiamentos em aberto, com condições de pagamento mais acessíveis, oferecendo um alívio para os produtores em situação de endividamento. O segundo fundo serviria para o financiamento de novos projetos, especialmente voltados à irrigação, uma das áreas mais impactadas pelas mudanças climáticas. Essa medida não apenas visa resolver o problema imediato, mas também cria uma estratégia de longo prazo para melhorar a infraestrutura agrícola no estado e minimizar os impactos de futuras catástrofes naturais.
A securitização das dívidas dos produtores rurais com o uso do Fundo Social é uma proposta que busca atender a uma necessidade urgente do setor agropecuário do Rio Grande do Sul. Diversas entidades do setor, como a Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-RS) e a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), expressaram seu apoio à ideia. A proposta é vista como uma medida crucial para evitar que os produtores rurais sejam forçados a abandonar suas atividades, o que teria um impacto negativo significativo na economia do estado e no setor agrícola como um todo.
Eduardo Leite enfatizou que o Rio Grande do Sul é o estado que mais sofreu com eventos climáticos nos últimos anos, e que os números apresentados pelo Ministério da Integração reforçam a necessidade urgente de uma solução para o endividamento rural. O uso do Fundo Social para securitização das dívidas dos produtores se configura como uma alternativa para que o estado consiga administrar a crise do setor sem prejudicar o funcionamento das políticas públicas federais. O Fundo Social, com seu saldo robusto, representa uma oportunidade para amenizar a crise, ao mesmo tempo que garante a sustentabilidade fiscal do governo estadual.
Além da securitização das dívidas, a proposta do governo do Rio Grande do Sul também inclui a busca por soluções para o financiamento de novos investimentos no setor agrícola. O fortalecimento da infraestrutura de irrigação, por exemplo, poderia ser um passo importante para evitar que o estado continue sofrendo com os danos causados pela falta de água em períodos de seca prolongada. Nesse contexto, a securitização das dívidas se torna não apenas uma medida de curto prazo, mas também um passo importante para garantir a resiliência do setor agropecuário do estado no futuro.
A participação das entidades representativas do setor agropecuário na construção dessa proposta foi fundamental. Representantes da Aprosoja-RS e da Farsul destacaram que as perdas sofridas pelos produtores rurais nos últimos anos são irreparáveis, e que uma solução eficiente é essencial para a sobrevivência do agronegócio no Rio Grande do Sul. As entidades ressaltaram que, além da securitização das dívidas, é necessário que o governo federal também se envolva na busca por soluções de longo prazo, incluindo a revisão de políticas públicas voltadas ao setor rural.
O uso do Fundo Social para securitização das dívidas dos produtores rurais pode se tornar um modelo para outros estados que enfrentam desafios semelhantes. A experiência do Rio Grande do Sul pode servir como um exemplo de como utilizar recursos estaduais de forma estratégica, sem sobrecarregar as finanças públicas, para resolver problemas estruturais no setor agrícola. Ao mesmo tempo, essa iniciativa pode abrir portas para uma maior colaboração entre os governos federal, estadual e o setor privado, em busca de soluções sustentáveis para o agronegócio brasileiro.
O debate sobre o uso do Fundo Social para securitização das dívidas dos produtores rurais é um reflexo da crescente importância de políticas públicas focadas no desenvolvimento sustentável do setor agropecuário. A proposta do governo do Rio Grande do Sul, ao mesmo tempo em que busca resolver uma crise imediata, também abre espaço para reflexões sobre o futuro do agronegócio no estado e no Brasil. O modelo sugerido pode, assim, ajudar a fortalecer a base econômica do país, oferecendo aos produtores as ferramentas necessárias para superar as adversidades climáticas e garantir a continuidade da produção agrícola.
Autor: thomas Scholze