O prefeito de Canoas, Airton Souza, tem gerado grande repercussão ao pressionar o governo do Rio Grande do Sul por mais recursos para a área de saúde. Em uma postura firme, ele ameaçou cortar os serviços de saúde para cidadãos de outras cidades caso não haja um aumento significativo no repasse de verbas. A medida, que afetaria diretamente os 156 municípios da região atendidos pela rede de saúde de Canoas, tem gerado debates intensos entre os gestores públicos e autoridades estaduais. Souza deixou claro que, se não houver o apoio necessário, a cidade poderá restringir o atendimento no Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC) exclusivamente para os canoenses, alegando que o sistema de saúde municipal está sobrecarregado.
A situação da saúde pública em Canoas se tornou um reflexo das dificuldades enfrentadas por outras cidades da Grande Porto Alegre. O prefeito Airton Souza afirmou que o município já destina recursos significativos para manter a estrutura de saúde em funcionamento, mas a ajuda do governo estadual tem sido insuficiente. De acordo com Souza, o valor repassado pelo governo do Estado, de R$ 1,4 milhão, está longe de cobrir os custos operacionais do HPSC, que consome quase R$ 10 milhões anuais para funcionar. Caso o governo estadual não tome uma atitude, o prefeito está decidido a tomar medidas drásticas.
A ameaça de cortar o atendimento para outras cidades é uma resposta à falta de investimentos na saúde pública por parte do governo do Rio Grande do Sul. A rede de saúde de Canoas, que é referência para municípios vizinhos, tem enfrentado problemas de superlotação e falta de recursos. A cidade de Canoas, sendo um centro de atendimento para a Região Metropolitana, tem atraído pacientes de diversas cidades, mas a situação atual tornou-se insustentável. A pressão sobre o sistema de saúde local está cada vez maior, e o prefeito não esconde sua frustração diante da falta de apoio governamental.
O prefeito, em tom de alerta, afirmou que se as condições financeiras não melhorarem, ele será forçado a tomar medidas radicais. “Vou fechar o atendimento aberto para outras cidades”, declarou Souza, enfatizando que o HPSC deve voltar a atender prioritariamente os moradores de Canoas. Essa atitude, segundo o prefeito, seria uma forma de proteger o atendimento à população local, mas também coloca em evidência o dilema enfrentado pelos gestores municipais na busca por recursos para a saúde pública.
Além disso, Airton Souza citou perdas significativas no orçamento municipal devido ao programa Assistir, que resultou em um déficit de R$ 84 milhões para Canoas em 2024. Com essa perda, a cidade está cada vez mais pressionada a garantir o atendimento à sua população, e a falta de recursos do governo estadual tem agravado ainda mais a situação. “Se o governo do Estado não puder ajudar, entrego as chaves do HPS e que o governador se encarregue de administrá-lo”, afirmou Souza, em um claro sinal de frustração com a atual gestão estadual.
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, também se reuniu com outros prefeitos da Região Metropolitana, destacando que a crise na saúde não é um problema isolado de Canoas, mas uma questão que afeta toda a região. A falta de recursos tem levado os gestores a uma situação limite, onde a continuidade dos serviços de saúde está em risco. Melo afirmou que, caso o apoio não seja ampliado, ele será obrigado a cortar serviços não apenas em Porto Alegre, mas também nos municípios vizinhos, criando um impacto em toda a Grande Porto Alegre.
Essas ameaças de cortes nos serviços de saúde têm gerado um ambiente de incertezas, e os prefeitos estão buscando uma solução para o impasse. Em reuniões com o governo estadual, a pressão por mais recursos é crescente, e as autoridades municipais estão tentando sensibilizar a administração estadual sobre a gravidade da situação. Os gestores locais argumentam que a saúde pública é um direito universal, mas que sem a devida parceria e apoio financeiro, a rede de saúde não conseguirá atender adequadamente a população.
A crise na saúde pública da Região Metropolitana é um reflexo das dificuldades enfrentadas por municípios em todo o Estado. A falta de investimentos, a sobrecarga dos hospitais e a escassez de recursos têm colocado em risco a qualidade dos serviços prestados à população. A situação exige uma resposta rápida e eficaz do governo do Rio Grande do Sul, para que os municípios não sejam forçados a tomar medidas extremas, como o corte de atendimentos, que pode prejudicar ainda mais os cidadãos de Canoas e das cidades vizinhas.
O futuro da rede de saúde da Região Metropolitana depende de uma ação conjunta entre os prefeitos e o governo estadual. A colaboração entre os entes federativos é essencial para garantir que os serviços de saúde sejam mantidos e ampliados, atendendo às necessidades da população de Canoas e de outras cidades. A pressão sobre o sistema de saúde pública é um reflexo da crise financeira que atinge muitas administrações municipais, e a busca por soluções deve ser uma prioridade para todos os envolvidos.
Autor: Thomas Scholze
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital