Banco lançará títulos no mercado para buscar recursos

Pelo rodízio estabelecido entre os três Estados do Sul, Leany é a primeira mulher a assumir a presidência do banco, que em 2021 chegará aos 60 anos de atuação

Indicada pelo governador Eduardo Leite para representar o Rio Grande do Sul na direção do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Leany Lemos assumiu nesta sexta-feira (4) a presidência da instituição. Pelo rodízio estabelecido entre os três Estados do Sul, ela é a primeira mulher a assumir a presidência do banco, que em 2021 chegará aos 60 anos de atuação. Ela substituirá no cargo a Luiz Corrêa Noronha, que seguirá respondendo pela diretora de planejamento do banco.

Como secretária de planejamento, orçamento e gestão do atual governo – função que deixou em junho deste ano, Leany atuou diretamente na aprovação do Reforma RS, conjunto de projetos que trouxe uma mudança estrutural nas carreiras do funcionalismo. Até essa semana, Leany Lemos coordenava o Comitê de Dados do governo no enfrentamento da pandemia da Covid-19, mobilizando uma equipe de especialistas na concepção do Modelo de Distanciamento Controlado, que definiu protocolos para a retomada das atividades a partir de critérios que medem o avanço do novo coronavírus e a capacidade de atendimento dos serviços de saúde.

“A sua liderança no Comitê de Dados nos permitiu tomar decisões muito seguras, por essa razão me senti tranquilo em te fazer esse convite. Sua vontade e disposição para o trabalho são exemplares. Um governo também não deve cuidar apenas do orçamento, mas também liderar processos de mudança culturais, como o gesto que fizemos te indicando para a presidência do BRDE. Me orgulho de ter tantas mulheres dedicadas e talentosas em todo o escalão”, destacou o governador Eduardo Leite. “O BRDE lidera o processo de desenvolvimento dos três estados do Sul, além do Mato Grosso do Sul. E nada nesse momento é mais importante que agilizar o desenvolvimento econômico em meio à pandemia. É uma missão muito bonita do banco e me sinto feliz em poder contribuir com isso”, declarou Leany em seu discurso de posse.

Leany afirmou em entrevista coletiva que o banco seguirá atento para ofertar o crédito necessário para ajudar diversos setores a recuperarem as perdas acumuladas com a crise sanitária. “Será preciso fazer um cruzamento de dados para selecionar clientes que estejam em situação de vulnerabilidade maior, pois como sabemos, a indústria e boa parte do comércio já voltou a ter um nível de operação maior. Porém, há diferenças entre os três estados e até mesmo dentro de cada estado. O agronegócio no Rio Grande do Sul, por exemplo, foi muito afetado pela estiagem”, detalhou. Outra providência que será encaminhada por Leany é ampliar ainda mais a diversificação do funding, iniciativa iniciada em 2015 com o hoje diretor de planejamento do banco Luiz Noronha. Naquela época o BNDES era responsável por 99,5% do crédito que o BRDE captava. A dependência, neste ano, deverá ser reduzida para um índice de 55%. O BRDE anunciou que lançará títulos no mercado para captar dinheiro. Serão oferecidos Green e ODS Bonds [títulos climáticos], além de RDBs [Recibo de Depósito Bancário, aplicação em títulos de renda fixa que não pode ser negociado nem transferido antes do vencimento].

BRDE em números
O BRDE tem a 16ª maior carteira de operações do país, somando mais de R$ 13,5 bilhões. O setor primário, especialmente nos Estados acionistas (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), tem no banco um importante parceiro e responde por quase 24% das operações de financiamento, patamar semelhante de médias, pequenas e microempresas. Além da direção-geral em Porto Alegre, o BRDE tem agências nos três estados, escritórios em cidades importantes da região Sul e também em Mato Grosso do Sul e no Rio de Janeiro.