Focada em componentes de transmissão automotiva, parceria com Braskem, ITA e Alkimat envolve o uso de impressão 3D

A manufatura aditiva é um processo controlado por computador que possibilita, a partir de um modelo digital, a criação de objetos tridimensionais por meio da deposição de materiais, camada a camada

A Gerdau e a Braskem firmaram uma parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Alkimat Tecnologia para o desenvolvimento de soluções para o setor de eletromobilidade. A iniciativa utilizará manufatura aditiva, tecnologia popularmente conhecida como impressão 3D (veja mais detalhes ao final desta reportagem). O projeto terá foco em componentes para sistemas de transmissão automotiva, com potencial para alavancar a expansão da indústria automotiva elétrica no país, cujo potencial poderá alcançar a cifra de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 44 bilhões) em 2027 no Brasil.

A Gerdau contribuirá com o conhecimento que possui em materiais metálicos, enquanto a Braskem com sua experiência e conhecimento em polímeros. A Alkimat colaborará com sua expertise em impressão 3D. Já caberá ao ITA coordenar o projeto, tendo em vista sua competência em pesquisa de manufatura. “A mobilidade é uma das principais tendências em transformação, com contribuição relevante para a resolução dos desafios da nossa sociedade. Na Gerdau, acreditamos na construção em rede, na inovação aberta, fomentando parcerias com a academia e instituições que complementam estrategicamente soluções disruptivas para a cadeia de valor”, afirma Juliano Prado, vice-presidente da Gerdau e responsável pela Gerdau Next.

Na visão de Prado, a eletromobilidade exigirá peças com novos requisitos e também poderá abarcar outros setores. “A impressão 3D é uma das tecnologias da Indústria 4.0 e 5.0, podendo ser amplamente utilizada em diversos segmentos, inclusive no agronegócio. Traz vantagens como customização em massa, produção sob demanda e também em áreas remotas”, detalha Prado. As impressões 3D nesse projeto estão sendo realizadas em São José (SC), na Grande Florianópolis, mas a Gerdau também possui impressoras 3D em unidades do Rio Grande do Sul para atender demandas internas do negócio. “A Gerdau Next opera em total sinergia com as demais áreas da Gerdau e suas unidades. Todas as plantas da Gerdau, no Brasil e no exterior, contribuem nesta jornada de novos desenvolvimentos. A Gerdau nasceu no Rio Grande do Sul e tem uma enorme conexão com as inovações realizadas dentro dos estados da região Sul”, explica Prado.

Não é a primeira vez que a Gerdau lança iniciativas em conjunto com outras empresas. A companhia lançou a aceleradora Ventures Gerdau em agosto, possibilitando a evolução e o crescimento de novas empresas e startups. No primeiro lote da Ventures Gerdau, mais de 230 empresas se inscreveram. Depois foi colocado em marcha a aceleração das startups selecionadas em parceria com quatro grandes empresas: a Autodesk, Startse, ACE e a Terracotta Ventures.

A Gerdau Next foi criada em julho com o objetivo de ser um braço de novos negócios e diversificação do portfólio da Gerdau. Segundo estimativas, pelo menos 20% das receitas do grupo devem estar atreladas a novos produtos e soluções adjacentes ao aço até 2030. Atualmente constam no portfólio de negócios da Gerdau Next a G2L – logística, G2Base – Fundação de obras, a aceleradora de startups Ventures Gerdau e a Corporate Venture Capital Paris Ventures, a Juntos Somos Mais (joint venture em conjunto com a Votorantim Cimentos e o Grupo Tigre). A companhia também tem participação de um terço do capital da Construtech Brasil ao Cubo, além de uma área de estudo e desenvolvimento de materiais avançados, tais como o grafeno e a manufatura aditiva.

Impressão 3D
A manufatura aditiva é um processo controlado por computador que possibilita, a partir de um modelo digital, a criação de objetos tridimensionais por meio da deposição de materiais, camada a camada. Daí a popularização do termo impressão 3D que, apesar do enorme potencial de aplicação no contexto da indústria 4.0, é bastante simples, podendo ser utilizado por grandes empresas em projetos disruptivos, como este em eletromobilidade, assim como por pessoas comuns, em suas casas.

Dentre as principais vantagens desta tecnologia, destaca-se a integração de funcionalidades, a redução de lead time, a possibilidade de redução de peso e, também, a liberdade de design, que permite a obtenção de peças com geometrias complexas. Nesse contexto, a manufatura aditiva é uma grande aliada no desenvolvimento de soluções que atendam às novas exigências do mercado de mobilidade, que surgem com as questões de mobilidade elétrica, compartilhada e autônoma.