Evento que premiou as Campeãs da Inovação do Sul discutiu como a colaboração pode ser decisiva para a perenidade dos negócios

Webinar reuniu Vale do Pinhão, Acate, Instituto Hélice, além de Whirlpool, Dell e Prati-Donaduzzi

O Grupo AMANHÃ e o IXL-Center premiaram nesta terça-feira (18) as empresas e organizações que se destacaram na 17ª edição do ranking Campeãs da Inovação. Clique aqui para conhecer todas as 50 Campeãs da Inovação da região Sul, assim como as líderes em cinco categorias especiais. “O ranking Campeãs da Inovação, pioneiro no Brasil, passa pelo escrutínio de um importante parceiro técnico global, o IXL-Center, que utiliza a metodologia do Gimi como parâmetro para obter os resultados. Por isso, parabenizo todas as companhias homenageadas que tiveram de inovar ainda mais nesta pandemia. Quem sobrevive em meio a um cenário de tamanha competitividade como esse que estamos passando, viverá mil anos”, saudou Jorge Polydoro, Publisher de AMANHÃ na abertura do evento on-line que foi transmitido pelo canal do AMANHÃ TV no YouTube (clique para ver o evento na íntegra).

“Toda empresa precisa construir capacidade para a próxima inovação. O futuro para qualquer organização é vazio se você não descobre o que fazer a seguir. Porque sempre vai ter um competidor vindo. Um ambiente em constantes mudanças, uma pandemia. Para as empresas que acolhem a inovação, o futuro é brilhante. Aquelas que aderem à inovação como se fosse uma simples tendência talvez tenham sorte. E, para aquelas que ignoram a inovação, só há uma direção. Quero parabenizar cada empresa que participou da pesquisa. E quero plantar as sementes hoje com cada um de vocês. O que você vai fazer a seguir?”, questionou Hitendra Patel, CEO e líder global do IXL-Center, diretamente de Boston.

“Inovação aberta é no que todos devem apostar. Inovação aberta significa que existem muitas outras pessoas inteligentes além da sua empresa. Existem muitas outras ferramentas que você pode usar fora da sua organização. Se você se limitar apenas ao que você tem, você só vai pensar em ideias do tamanho da sua empresa. A inovação aberta permite que você use o mundo inteiro. Um dos programas que gostaria de encorajá-los a considerar se chama Innovation Olympics, onde você faz uma parceria com cinco times e eles encontram ideias de várias partes do mundo para descobrir o que você pode fazer a seguir. Isso é inovação aberta. Use a inteligência do mundo para ajudá-lo a resolver seus problemas. Use as ferramentas do mundo para complementar suas ideias. Use inovação aberta para encontrar parceiros de mercado. A inovação aberta é o grande futuro próximo”, revelou Patel.

Tirados da zona de conforto
O webinar reuniu Daniel Leipnitz, presidente do Conselho da Associação Catarinense de Tecnologia, a Acate (SC); Marlon Alves Cardoso, coordenador geral da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, e integrante do Vale do Pinhão (PR); e Daniel Ely, presidente do Instituto Hélice (RS). Eles debaterão com José Luiz Pimenta Jr., Government Affairs & Institutional Relations Senior Manager da Whirlpool América Latina; Diego Puerta, presidente da Dell Brasil; e Eder Fernando Maffissoni, diretor-presidente da Prati-Donaduzzi. O debate foi mediado por Eugênio Esber, diretor de Redação de AMANHÃ.

Um dos pontos destacados logo no começo por Maffissoni, da Prati-Donaduzzi, é que a pandemia tirou as empresas da zona de conforto. “Analisando o cenário hoje, nos damos conta que nos tornamos mais competitivos e, também, mais produtivos, pois o meio digital foi fundamental para mantermos contato com os clientes e poder fazer reuniões e treinamentos com maior intensidade”, avaliou o CEO da companhia sediada em Toledo (PR). A inovação aberta também ajudou a acelerar processos inovadores em meio à crise sanitária, como revelou Pimenta Jr., da Whirlpool. “Ampliar os parceiros ajuda a aprimorar processos internos e externos. É preciso entender que a inovação não é um fim em si mesmo, mas sim ter em mente o atendimento às necessidades do consumidor que hoje experimenta cada vez mais as novidades que chegam ao mercado”, destacou. 

No Brasil, Dell inaugurou em 2019 o seu Digital Labs, em Eldorado do Sul (RS), para desenvolvimento de aplicações globais com base em metodologias ágeis, ferramentas que também fomentam a inovação. “Essa metodologia é vital, pois se descola da operação e fica focada no problema. Além do mais, ajuda a diminuir o tempo de implantação onde os testes são necessários – e uma das razões do nosso sucesso”, pontuou Puerta, presidente companhia. O engajamento com o meio acadêmico é outro ponto forte da multinacional norte-americana. Um dos frutos são as tecnologias assistivas desenvolvidas em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece) e o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Dell – Lead, situado em Fortaleza, para aprimorar a inclusão de pessoas com deficiência. “Por meio de pesquisas como essa, deficientes auditivos podem trabalhar em nossa linha de produção fazendo testes de som nos equipamentos”, contou Puerta. Na Whrilpool, a parceira de longa data com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ajudou a desenvolver um forte polo de refrigeração em Joinville.

Ao final de sua participação, Maffissoni louvou o fato do Supremo Tribunal Federal (STF) ter considerado inconstitucional um dispositivo da Lei de Patentes que permitia a extensão do prazo de exclusividade de patentes no caso de demora na análise para autorização. A decisão vale para registros de produtos farmacêuticos, equipamentos e materiais de saúde utilizados para combater a Covid-19. “Com isso voltamos a ter pé de igualdade com os Estados Unidos, Japão e Europa, pois a norma em vigor anteriormente distorcia o prazo. Na minha opinião, a população só terá a ganhar, pois alguns medicamentos poderão ficar mais acessíveis ao longo do tempo”, afirmou o presidente da Prati-Donaduzzi.

Tecnologia é o menos importante
Os líderes dos ecossistemas e hubs de inovação do Sul fizeram questão de, em uníssono, quebrar um dos mitos envolvendo transformação digital: o uso de tecnologia. Na visão de Daniel Ely, presidente do Instituto Hélice, de Caxias do Sul (RS), o ponto nevrálgico é a adoção da cultura da inovação pelas empresas, inclusive as de capital fechado. “Antes de focar na tecnologia, é preciso mudar a mentalidade, principalmente em uma época onde trabalhar sozinho não é sinônimo de ser autossuficiente”, sugeriu. Ely também alertou que não é preciso procurar por profissionais que sabem lidar com inovação fora da empresa, pois é preciso abrir espaço para quem já está na operação. “Todos devem contribuir, pois inovação não precisa ser de um determinado setor. É preciso se despir de questões muito hierárquicas e fazer com que as pessoas se conectem”, sublinhou, lembrando, ainda, que instituições como a Hélice podem oferecer consultoria nesse sentido.

Daniel Leipnitz, presidente do Conselho da Acate, de Florianópolis, assegurou que a mudança de paradigma se dará por três eixos: inclusão, compartilhamento e diversidade. “Não há espaço para egos quando se trata de inovação. Pode ser que você até não concorde com 30% da opinião de alguém, mas procure trabalhar os 70% restantes onde há sinergia. Essa é a transformação cultural pela qual tem de passar o setor produtivo brasileiro”, disse. Marlon Alves Cardoso, coordenador geral da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação e integrante do Vale do Pinhão (PR), chamou a atenção para o fato da inovação cumprir um papel social, pois ao final o objetivo é buscar melhor qualidade de vida. “O novo modelo de relação entre as empresas derrubou por terra que uma mudança demanda grandes investimentos. A nova economia trouxe uma alteração onde a maior escala proporciona custos menores. E mais: inovar traz maior produtividade em maior escala em um menor tempo”, ensinou.

Ely destacou que uma das principais missões do Hélice é impulsionar toda uma região, de modo que empresas e organizações possam alcançar maturidade para se conectarem buscando soluções comuns. Entre os objetivos do instituto é tornar as empresas da Serra Gaúcha mais inovadoras, fazer com que as grandes companhias possam dar mentoria para as menores e atrair e manter talentos na região. No Vale do Pinhão, não é diferente: o diálogo entre o poder público, empresas e universidades tem sido promissor para os negócios. “Quando um projeto é bom, fica de lado a competição em nome do resultado conjunto. Curitiba é um player da área da inovação e, independentemente de onde venha o capital, o mais importante é investir na economia brasileira”, pontuou Cardoso.

Ao final do evento, Fernando Onosaki, sócio-diretor do IXL-Center, fez com que todos lembrassem de um ditado muito popular rico de ensinamento. A frase “em time que está ganhando não se mexe”, segundo ele, é perigosa para quem lida com inovação, pois uma organização não deve parar de arriscar. “Não parem de inovar. Saiam da zona de conforto e desafiem o status quo. O que era bom ano passado já pode não fazer mais sentido”, aconselhou.