A suinocultura no Paraná atravessa um período de pressão sobre a rentabilidade. Dados do Boletim Conjuntural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), elaborado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) e divulgado em 24 de setembro de 2026, mostram que o custo de produção do suíno vivo chegou a R$ 5,96 por quilo em agosto. No mesmo período, o preço médio recebido pelos produtores ficou em R$ 5,31 por quilo.
A diferença de R$ 0,65 por quilo significa que a remuneração média ficou 10,91% abaixo do custo calculado para a atividade. O cenário indica margem negativa para os produtores paranaenses no período analisado, com a receita obtida na venda dos animais inferior ao desembolso estimado para a produção.
Os números constam no Boletim Conjuntural da Semana 39/2026, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná. O documento apresenta os dados referentes principalmente a agosto e compara os resultados com o mês anterior e com o mesmo período de 2025.
Custo subiu enquanto preço recuou
Na comparação com julho, o custo de produção do suíno vivo aumentou 2,58%. Ao mesmo tempo, o preço médio pago ao produtor recuou 4,15%. A combinação entre encarecimento da produção e redução da remuneração ampliou a dificuldade financeira enfrentada pela atividade no Estado.
A diferença também aparece na comparação anual. Em agosto de 2025, o preço médio recebido pelos produtores era de R$ 7,05 por quilo. Um ano depois, o valor caiu para R$ 5,31, uma redução de R$ 1,74 por quilo. O recuo ocorre em um setor no qual a alimentação representa a maior parcela dos custos.
De acordo com o boletim do Deral, a alimentação respondeu por 70,64% do custo total da produção de suínos no Paraná. O gasto alcançou R$ 4,21 por quilo em agosto, com alta de 3,44% em relação a julho e de 7,12% na comparação com agosto do ano anterior.
Oferta nacional aumenta no segundo trimestre
O levantamento estadual também relaciona o desempenho da suinocultura ao comportamento da oferta no mercado brasileiro. O abate nacional de suínos chegou a 15,70 milhões de cabeças no segundo trimestre de 2026, volume 4% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
O aumento da oferta, combinado à pressão sobre o consumo interno e ao encarecimento dos insumos utilizados na alimentação, contribui para explicar a dificuldade de recuperação dos preços pagos no campo. Com mais animais encaminhados ao abate e custos elevados, a remuneração obtida pelos produtores permanece pressionada.
O Paraná integra o grupo dos principais polos brasileiros de produção de suínos. Por isso, a variação dos custos e dos preços afeta uma cadeia que envolve propriedades rurais, unidades de processamento e demais atividades ligadas à produção de carne suína. O boletim, porém, concentra os dados apresentados no custo e no preço médio estadual.
Alimentação é principal componente do custo
A participação de 70,64% da alimentação no custo total evidencia o peso das despesas com ração na formação da margem da atividade. Em agosto, esse componente atingiu R$ 4,21 por quilo, valor que avançou tanto na comparação mensal quanto na anual.
Esse comportamento reduz o espaço para absorver quedas no preço pago ao produtor. Quando o custo da alimentação aumenta e a cotação do suíno recua, a diferença entre o valor necessário para produzir e a receita obtida com a venda se amplia, como ocorreu no Paraná em agosto de 2026.
Os dados divulgados pela Seab não projetam, no material citado, uma data para a recuperação da rentabilidade. O retrato apresentado é o de um mercado com custo elevado, remuneração inferior ao custo e necessidade de acompanhamento dos preços, da oferta nacional e das despesas com alimentação nos próximos levantamentos.
O PDF do Boletim Conjuntural da Semana 39/2026 reúne as tabelas e informações utilizadas na análise da suinocultura paranaense. Os dados reforçam que, em agosto, a atividade precisou lidar simultaneamente com custos crescentes e preços menores, cenário que manteve os produtores sob pressão financeira.
