Com a inflação e a taxa de juros em dois dígitos, a pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelou que o Brasil tem o maior percentual de famílias endividadas desde o início da série histórica, em janeiro de 2010.

Em relação ao mesmo período do ano passado, houve uma alta de mais de 10 pontos percentuais, alcançando, em abril, 77,7% de famílias com contas a vencer, como prestação de imóvel ou carro, compras parceladas no cartão de crédito ou empréstimo pessoal.

A CNN levantou os dados dos meses de abril desde o início da série histórica, em 2010. Em abril daquele ano, o percentual de endividados era de 58%. Em 2011, esse número subiu para 62,6%. No ano seguinte, caiu para 56,8%. Em 2013, subiu para 62,9%. Nos anos seguintes, houve queda. Em 2019, o número voltou a subir e chegou a 62,7%. Nos anos de 2020 e 2021, o percentual era de 66,6% e 67,5%, respectivamente.

No levantamento, 17,8% se declararam muito endividados, patamar atrás apenas do registrado em julho de 2011.

Diante do incremento, a CNC aponta que 21,5% das famílias chegaram ao fim do quadrimestre entre janeiro e abril com mais de 50% da renda comprometida com o pagamento de dívidas, o maior percentual desde janeiro de 2021.

“Com orçamentos pressionados pela inflação persistentemente alta e (média de) 30,2% da renda comprometida com o pagamento de dívidas, a proporção de famílias com contas/dívidas atrasadas teve o maior incremento mensal desde março de 2020. Endividamento segue apontando alta”, apontou a pesquisa.

Já a inadimplência, ou seja, quando há dívidas ou contas em atraso, atingiu quase três em cada dez famílias brasileiras (28,6%), no mês de abril.

O índice é um novo recorde, 0,8 ponto percentual maior do que no mês anterior. O indicador ainda está 4,4 pontos acima do patamar registrado antes da pandemia de Covid-19. Segundo a pesquisa, 10,9% das famílias afirmaram que não têm condições de pagar as dívidas.

Em relação ao perfil dos inadimplentes, as famílias mais pobres são as mais impactadas. Na renda de até dez salários mínimos, cerca de 31,9% possuem contas em atraso, o maior nível da série histórica.

No grupo mais rico, que recebe mais de dez salários mínimos, o índice também é alto, 13,5%, o maior patamar desde abril de 2016.

Segundo a pesquisa, nas duas faixas de renda analisadas, o principal tipo de dívida é o cartão de crédito. A modalidade foi a única que apresentou alta no mês de abril: 1,8 ponto percentual em comparação a março.

A proporção de endividados no cartão de crédito é maior entre as famílias com renda mais elevada, 91,6%. A retomada do consumo por esse grupo se justifica especialmente pela categoria de serviços, segundo a CNC.

Já entre as famílias endividadas com renda até de dez salários mínimos, a proporção é de 88,1%.

No entanto, o tempo da dívida caiu. A CNC aponta que a modalidade do cartão de crédito está associada ao consumo de curto prazo. Logo, o tempo de comprometimento com dívidas recuou em abril e chegou a sete meses.

Cerca de 25% então endividadas no período de até três meses e as famílias com contas a pagar por mais de um ano caiu, alcançando o patamar de 32,9%. O tempo de atraso na quitação de dívidas dos inadimplentes reduziu de 62,4 para 62,1 dias.

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