De acordo com a prefeitura, medida é preventiva. Equipamento, localizado na Unidade de Saúde Boqueirão, tem capacidade para armazenar 3 mil litros. Ocupação dos leitos de UTI chega a 95% em Canoas
Na última semana, o número de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), devido ao coronavírus, aumentou bastante no Rio Grande do Sul. Em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi instalado um tanque de oxigênio, na UPA Boqueirão, com capacidade de três mil litros.
Segundo a prefeitura, o reforço é para auxiliar pacientes que apresentam problemas respiratórios e precisam de suporte. A cidade não registra falta de oxigênio e a ação é uma medida preventiva, devido ao aumento do consumo para terapia de pessoas com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), informou a administração.
Até então, o fornecimento ocorria via cilindros de oxigênio, que precisavam ser trocados ao longo do dia, segundo a diretora administrativa da UPA Boqueirão, Luciana Feldens. Com a instalação do tanque, o oxigênio é canalizado por toda a estrutura da unidade.
A Secretaria Municipal da Saúde de Canoas planeja também a instalação de um tanque na UPA Rio Branco.
“É importante frisar que não temos problema de fornecimento e abastecimento de oxigênio nas unidades de pronto atendimento”, afirma a diretora de Regulação, Controle, Avaliação e Auditoria, Michele Feltrin.
Segundo a última atualização, publicada na manhã desta quinta-feira (25), Canoas está com 93,2% de ocupação dos leitos UTI adulto. A taxa de uso de respirador é de 56,4% na cidade.
Tanque de oxigênio é instalado na UPA Boqueirão, em Canoas
Divulgação/Prefeitura de Canoas
Situação é crítica em todo o estado
Médico do Hospital de Clínicas relata caso de paciente que precisou ser entubado na UTI
Na manhã desta quinta-feira (25), o Rio Grande do Sul estava com 90,7% dos leitos UTI ocupados. São 2.447 pacientes internados nos 2.698 leitos que o estado possui.
Na quarta (24), Unidades de Pronto Atendimentos (UPA) de Porto Alegre operavam quase três vezes acima da capacidade.
Em entrevista ao Bom Dia Rio Grande, da RBS TV, nesta quinta, o ouvidor do Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers) e médico intensivista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Fabiano Nagel, falou sobre a situação crítica e o aumento de mortes pela doença.
“Minha sensação é de revolta quando vejo pessoas idosas com fatores de risco, jovens, provavelmente, sem, caminhando na rua sem máscara, em grupos, aglomerados, conversando animadamente. Porque eu vejo essas pessoas no outro lado, quando elas estão sob risco de vida ou morrendo”, afirma o médico.
Nagel ainda relatou a história de um paciente, que morreu por causa do coronavírus.
“Eu tenho o exemplo de um senhor, de 62 anos, um empresário de médio porte, que internou conosco, quando eu tive que dizer pra ele: ‘eu vou precisar entubá-lo porque você corre risco de morrer se eu não fizer’, ele chorou como uma criança na minha frente, e me disse: ‘meu Deus, doutor, eu não achava que isso fosse tão sério’. O que se diz pra um paciente numa situação dessas? Infelizmente, esse paciente que eu estou relatando aqui ele perdeu a vida por causa da Covid”, afirma.