Hospitais de cidades como São Leopoldo e Sapiranga ultrapassam 100% da capacidade de atendimento em UTI. Outros municípios operam próximo ao esgotamento de recursos. Hospitais da Região Metropolitana de Porto Alegre estão à beira do colapso
O sistema de saúde de cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre está no limite de operação. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SES), algumas delas, como São Leopoldo (162,5%) e Sapiranga (147,1%), já estão operando com mais de 100% da capacidade de atendimento em unidades de terapia intensiva de seus hospitais.
Gravataí e Alvorada estão com 100% da capacidade tomada, e Viamão, com 96,7%, se aproxima do esgotamento da capacidade.
Em Novo Hamburgo, cuja taxa de ocupação é de 90%, o centro Covid faz, em média, 150 atendimentos por dia desde a semana passada. É quase o dobro do que registrava no pico da doença em 2020.
Para tentar frear o avanço dos casos, a prefeitura decidiu tornar mais rigorosa a aplicação de multas para pessoas que descumprirem os decretos. Quem for flagrado sem máscaras, por exemplo, terá de pagar R$ 2 mil. Os parques vão ser fechados, medida que já foi adotada no ano passado.
“Eu defendo que deva haver medidas restritivas nesse período, em torno de 10 dias, no mínimo, para que a gente posso reverter o quadro. O cenário não é o melhor. Nós estamos vivendo um cenário muito difícil por causa da Covid, e não adianta também tomarmos medidas restritivas apenas no município, porque isso não resolveria o problema. Nós precisamos de medidas restritivas regionais ou estaduais. A situação é grave e nós precisamos cessar essa contaminação, esse contágio, que está acontecendo”, afirma prefeita Fátima Daudt.
Alvorada não tem unidade de pronto atendimento (UPA). Os casos suspeitos e confirmados de Covid-19 são tratados em um Centro de Saúde. Havendo necessidade de internação, o paciente é encaminhado para um leito clínico no Hospital de Alvorada, mantido pelo Instituto de Cardiologia.
Todos as 31 vagas estão ocupados. Em caso de agravamento, os pacientes precisam ser encaminhados para hospitais de Porto Alegre, Cachoeirinha ou Viamão.
Esta última tem 30 pacientes em leitos de UTI, e outros seis pacientes, que estão em enfermarias, aguardam vaga.
Canoas está com quase 95% da capacidade de atendimento em UTI lotada
Reprodução/RBS TV
Canoas no limite
Em Canoas, a ocupação geral dos hospitais se aproxima dos 95%. A prefeitura anunciou que irá aumentar a capacidade de atendimento nas UPAs. Mas não é só isso.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o perfil das internações em UTI é de pacientes mais jovens e sem comorbidades. Entre os que estão entubados, cerca de 40% tem entre 25 e 40 anos.
“Nós estamos ampliando mais uma UPA já nos próximos dias para dar um apoio, um suporte para as duas UPAs que nós temos em Canoas e que estão com uma procura bastante alta”, diz o secretário Maicon Lemos.
Canoas mais do que dobrou a quantidade de leitos de UTI disponíveis. Mesmo assim, na tarde desta quinta (25), 24 pessoas precisavam de internação, mas não havia leito. O secretário afirma que mais 15 vagas ainda serão abertas.
“Esse é o limite operacional que nós conseguimos. Esse quantitativo é o limite possível nesse cenário de pandemia, considerando que faltam profissionais de saúde e isso é um dificultador em todos os municípios”, sublinha Lemos.
O Hospital Universitário abriu mais 10 leitos de enfermaria nesta quinta. Outros 10 haviam sido abertos no fim de semana.
Ao todo, a cidade tem 119 leitos clínicos exclusivos para o atendimento de pacientes com Covid-19. Até domingo, outros 45 serão abertos no Hospital Nossa Senhora das Graças.
Serra
Os hospitais de Caxias do Sul também estão em colapso. Os hospitais Geral, da Unimed e Virvi Ramos têm 120% da ocupação, o Pompéia, 95%, e o do Círculo, 80%.
O Hospital de Canela também está com 100%. Nesta tarde, três pacientes com sintomas entre leve e grave estavam alocados em macas esperando por leitos, e a instituição não tem como ampliar a capacidade das UTI.
Em Vacaria, o Hospital Nossa Senhora da Oliveira estava com 100% da ocupação. Em Farroupilha, o Hospital Beneficente São Carlos tinha 80% dos leitos de UTI ocupados, mas 130% da capacidade dos leitos clínicos.
O Hospital Tacchini, em Bento Gonçalves, tinha 93,3% da ocupação da enfermaria tomada, mas não informou em relação às 45 vagas de UTI.
E, em Garibaldi, o Hospital Beneficente São Pedro tinha todos os leitos Covid e não Covid ocupados por pacientes.
O Hospital Beneficente Nossa Senhora de Fátima, em Flores da Cunha, e o Hospital Nova Petrópolis, que não têm UTI, estavam com a capacidade hospitalar superlotada.
Assim como os pacientes do Hospital Beneficente São João Bosco, de São Marcos, e do Hospital Beneficente São José, em Antônio Prado, que precisam ser removidos para Caxias caso tenham a situação agravada.
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