Pesquisa concluiu que organismo de africanos e asiáticos reage melhor à contaminação pela doença. Identificação de padrão genético pode ajudar no combate à pandemia. Genética pode explicar diferentes efeitos do coronavírus nos organismos das pessoas
Uma pesquisa liderada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) indica a existência de relações entre a genética de diferentes povos do mundo e o coronavírus. O estudo contou com a atuação de cientistas da Universidade LaSalle, de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e da Fiocruz, do Rio de Janeiro.
“Assim que a gente compreender a forma como cada população responde a diferentes partes do vírus, as vacinas também podem ser customizadas e os prognósticos dos pacientes, mais precisos”, afirmou o professor Gustavo Fioravanti Vieira.
Em vez de focar o vírus em si, o trabalho investigou as diferenças genéticas entre humanos que podem alterar o comportamento do agente no corpo. Em Canoas, o estudo foi conduzido pelo professor.
“A gente fala muito das variantes do vírus. Mas cada um de nós somos variantes de humanos. A gente precisava entender a diversidade das pessoas em relação às respostas à doença”, afirmou.
Professor Gustavo Fioravanti Vieira participou da pesquisa em universidade de Canoas
Luciele Oliveira/Universidade LaSalle/Divulgação
Os cientistas concluíram que pessoas naturais da África e da Ásia têm uma constituição genética que faz com que a resposta do corpo contra o coronavírus seja mais efetiva.
De acordo com a Universidade LaSalle, a pesquisa é inédita no mundo e durou cerca de seis meses. A análise utilizou ferramentas da bioinformática com dados de 37 países de quatro continentes (África, América, Ásia e Europa) e foi publicada em uma revista internacional de imunologia.
Detalhes da pesquisa
De acordo com Fioravanti, a primeira reação do organismo contra uma doença é a atuação dos anticorpos, que impedem o ingresso de vírus no corpo.
Com o agente já instalado, ocorre uma segunda resposta, conhecida como celular ou citotóxica. Nesse caso, linfócitos reconhecem e destroem uma célula infectada.
O pesquisador explica que, na resposta celular, o sistema imune de africanos e asiáticos ataca a proteína S, que forma a “coroa” do vírus, sinalizando que uma célula está infectada.
Já os genes presentes em indivíduos americanos e europeus direcionam a resposta a outras partes do vírus, sendo menos eficazes na proteção contra a doença.
Fioravanti observa que a identificação desse padrão pode auxiliar no combate à pandemia. Além de indicar a tendência de gravidade da doença em um paciente, a descoberta pode contribuir com a produção de vacinas específicas para diferentes povos.
No caso do Brasil, a variedade genética da população faz com que seja maior a diferença de evolução do coronavírus entre as pessoas, segundo o professor. Isso significa que, em alguns pacientes, a resposta do corpo é mais eficiente do que em outros. Em populações mais homogêneas em termos genéticos, a resposta geral pode ser semelhante entre as pessoas.
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