Estado tem 35% da população em cidades com alto risco de contágio

A equipe de monitoramento dos dados alerta que é preciso observar a evolução da doença na macrorregião Metropolitana durante os próximos sete dias

Na 29ª rodada, o mapa definitivo do modelo de Distanciamento Controlado terá, a partir desta terça-feira (24), oito regiões em bandeira vermelha (risco epidemiológico alto). O Gabinete de Crise deferiu, nesta segunda-feira (23), cinco pedidos de reconsideração enviados por municípios e associações regionais.

Assim, o Rio Grande do Sul fica com oito regiões em bandeira vermelha e 13 em bandeira laranja (risco epidemiológico médio). As bandeiras da 29ª semana são válidas até as 23h59 de segunda-feira (30). Devido ao alto número de bandeiras vermelhas, o governador Eduardo Leite apresentou o mapa em transmissão ao vivo pelas redes sociais. “Ao longo desses oito meses acumulamos uma curva de aprendizado. Não temos disposição em fechar novamente as atividades. Estamos monitorando o que se passa na Europa para que, se for necessário, façamos restrições de forma proporcional. Podemos estabelecer normas que impactem menos na retomada econômica com a melhor conciliação da preservação da saúde. Recomendamos aos prefeitos que intensifiquem as fiscalizações e que a população cumpra os protocolos. Sabemos que o verão se aproxima e o clima se torna convidativo, mas lembrem-se que não estamos em um momento de normalidade, pois o vírus segue circulando entre nós”, destacou Leite.

Os pedidos de reconsideração das regiões Covid de Santa Maria, Guaíba, Caxias do Sul, Porto Alegre e Lajeado foram acatados pelo Gabinete de Crise. Por isso, permanecem em bandeira laranja nesta semana. Por outro lado, a equipe técnica optou por rejeitar os pedidos das regiões de Novo Hamburgo, Passo Fundo e Uruguaiana. Essas três regiões se somam a Capão da Canoa, Canoas, Ijuí, Palmeira das Missões e Erechim, que não enviaram pedidos de reconsideração. Das oito regiões em vermelho, apenas Uruguaiana não aderiu ao sistema de cogestão.

Em Santa Maria, o pedido foi aceito porque a região tem taxa de ocupação de leitos de UTI abaixo de 80% e os indicadores regionais apresentaram variações de impacto razoável. A região havia sido enquadrada na bandeira vermelho devido à situação macrorregional, por causa dos indicadores de Uruguaiana. Em Lajeado, por mais que a ocupação esteja aumentando, a região ainda apresenta mais de 80% de leitos clínicos disponíveis.

Em Guaíba, a região apresentou melhora na média ponderada final (1,90 para 1,68) e reduziu consideravelmente o número de internados na região, mantendo capacidade satisfatória de leitos disponíveis para atendimento. Na região de Caxias do Sul, os indicadores são similares aos de outras semanas, apesar do aumento significativo desta semana. Os registros de hospitalizações confirmadas para Covid-19 registradas nos últimos sete dias aumentaram 23%, de 111 para 137. A elevação mais forte nesta semana ainda está abaixo dos níveis vistos nos momentos em que a região esteve em bandeira vermelha por largo período.

Por fim, a região de Porto Alegre apresentou uma leve melhora na média ponderada (de 1,79 para 1,75) e tendência leve de crescimento das taxas de internação nos últimos dias. O Gabinete de Crise optou por manter a bandeira laranja, chamando atenção, no entanto, para a relação de leitos livres por leitos ocupados por Covid. É a pior relação das últimas nove semanas na macrorregião Metropolitana.

A equipe de monitoramento dos dados alerta que é preciso observar a evolução da doença na macrorregião Metropolitana, que concentra 4,4 milhões de habitantes, durante os próximos sete dias. O esgotamento desta macrorregião e região impactaria negativamente na resposta à pandemia em todo o Estado. Das 21 regiões Covid, apenas Uruguaiana, Bagé e Guaíba não aderiram ao sistema compartilhado. As outras 18 já adotam protocolos alternativos às bandeiras definidas pelo governo.

Regra 0-0
Na 29ª rodada, o Rio Grande do Sul tem 3.970.735 habitantes, o que corresponde a 35% da população gaúcha (total de 11,3 milhões de habitantes), em bandeira vermelha, distribuídos entre os 234 municípios (do total de 497) classificados como de alto risco de contágio de coronavírus.

Desses, 105 municípios (426.536 habitantes, 3,8% da população gaúcha) podem adotar protocolos de bandeira laranja, porque cumprem os critérios da Regra 0-0, ou seja, não têm registro de óbito ou hospitalização de moradores nos últimos 14 dias, desde que a prefeitura crie um regulamento local. Além disso, do total de 263 municípios em bandeira laranja (7.358.870 habitantes, 65% da população do RS), 125 (724.390 habitantes, 6,4% da população em bandeira laranja) podem adotar protocolos de bandeira amarela.