Hospital Centenário deve receber pouco mais de 6 mil doses do medicamento Midazolan. Municípios enfrentam dificuldades na obtenção de remédios para o kit intubação. Hospitais do RS enfrentam falta de remédios para intubação de pacientes
O Hospital Centenário e o laboratório Cristália firmaram acordo, na terça-feira (23), em audiência, que prevê a entrega de doses do sedativo Midazolan. Uma decisão judicial havia determinado a entrega de 12 mil ampolas, previstas após pregão. O medicamento é usado para sedação de pacientes intubados.
Contatada pelo G1, a empresa informou que vai se manifestar apenas na quinta-feira (25). O acordo firmado prevê a entrega de 3 mil ampolas em 10 dias, e outras três remessas, de 1,2 mil doses, em 30, 60 e 90 dias.
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Já na terça-feira (23), duas mil ampolas já foram entregues. Segundo o hospital, as doses são suficientes para uma semana de tratamento dos pacientes em ventilação mecânica. A direção está em processo de licitação para a aquisição de novas remessas do medicamento para evitar o desabastecimento.
“Com um valor da ampola a R$ 19,50 e evitamos que nós tivéssemos que fazer uma compra emergencial com valor de mercado, que oscila entre R$ 57 e R$ 67″, ressalta o procurador-geral do Hospital Centenário, Maicon Barbosa.
Medicamento usado para sedação de pacientes intubados será fornecido em lotes ao hospital
Divulgação/Hospital Centenário
Falta de medicamentos em outras cidades
Outros municípios enfrentam dificuldades na obtenção de medicamentos sedativos. Em São Gabriel, na Fronteira, a Santa Casa pediu ajuda ao prefeito da cidade, Rossano Gonçalves. ”
Vamos perder vidas por falta de medicamentos, anestésicos, sedativos”, aponta.
O município vizinho de Cacequi emprestou três remédios do chamado kit intubação para a Santa Casa, que está com os 15 leitos de UTI ocupados e os 60 de enfermaria também. Esses remédios são essenciais para garantir a qualidade do tratamento.
A remessa emprestada por Cacequi dá, no máximo, para mais três dias. Na quinta-feira (25), tem a promessa de novas doses que serão enviadas pelo Ministério da Saúde e governo estadual.
No Noroeste do RS, Ijuí também enfrenta uma situação dramática, com 18 medicamentos em falta no Hospital de Caridade, segundo o presidente Douglas Uggeri.
“A gente está no nível de catástrofe porque sem essas medicações a gente não consegue trabalhar na UTI e nas emergências em geral. A gente solicita apoio principalmente da população e dos órgãos públicos porque não tem como comprar a medicação”, afirma.
A demanda também elevou os preços desses medicamentos. Em Bagé, a Santa Casa está com a UTI lotada com 15 pacientes Covid, e o administrador, Raul Antônio Valandro, reclama da alta nos preço.
“Um medicamento que o valor unitário era de R$ 5 uma ampola, hoje está valendo R$ 50, é um absurdo. Mesmo assim, alguns desses medicamentos não tem no mercado. Não conseguimos comprar. E quando aparece nos temos que comprar do jeito que tiver”.
Segundo o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems), a falta de medicamentos do chamado kit intubação está sendo notada em várias regiões do RS.
“A maioria dos hospitais ‘estão’ trabalhando nos planos B, alguns planos C. Mas nós sabemos que os medicamentos de primeira escolha do plano A, que são os necessários nesse momento, já começam a faltar em todas as regiões do nosso estado”, afirma o presidente do Cosems, Maicon de Barros Lemos, secretário de Saúde de Canoas.
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