MDB conquista Porto Alegre e se consolida. PSDB perde a Capital, mas vence em Santa Maria, Caxias do Sul e Pelotas. Para Fabrício Pontin, peça-chave é a classe média baixa que tem aversão a mudanças. Eleições municipais 2020 foram concluídas nesse domingo (29), com o segundo urno
Heloise Hamada/G1
As eleições municipais, que se encerraram neste domingo (29) com o segundo turno em cinco cidades, mudaram pouco o cenário político do Rio Grande do Sul em relação à divisão partidária, segundo levantamento do G1, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para Fabrício Pontin, professor de Direito e Relações Internacionais na Universidade La Salle (Canoas), de um modo geral, as eleições de 2020 mantiveram partidos e coligações semelhantes ao pleito de quatro anos atrás.
“Eu não vejo, no Rio Grande do Sul, mudanças sísmicas muito fortes. No que a gente olha os resultados não tem, nas grandes cidades pelo menos, nenhuma mudança de posicionamento do prefeito. Seria uma falta de apetite por mudança sísmica”, afirma.
Veja como fica a divisão após o 2º turno
Progressistas: se manteve como o partido com mais prefeituras, posição que ocupa desde 2008. Nesta eleição, conquistou uma a mais em relação a 2016 e chegou a 143 gestões em executivos municipais.
MDB: com a vitória de Sebastião Melo, em Porto Alegre, avançou para 135 prefeitos, se consolidando no segundo lugar.
PDT: em relação ao pleito de 2016, perdeu 11 cadeiras de mandatários nos executivos gaúchos e fechou 2020 com 65 prefeitos. Ainda assim, o partido de Leonel Brizola mantém o Rio Grande do Sul como um dos lugares onde é mais presente no país, logo atrás do Ceará.
PSDB: após o segundo turno, ganhou em mais três cidades e tem 30 prefeitos a partir de 2021. Virou a quarta sigla com mais prefeituras. Está no comando das três cidades mais populosas do interior do RS: Caxias do Sul, Pelotas e Santa Maria.
PTB: venceu em mais quatro cidades no primeiro turno. Perdeu a prefeitura de Canoas para o PSD de Jairo Jorge.
PT: manteve a queda do pleito passado e terminou o primeiro turno com 23 executivos, 15 a menos do que em 2016 e o pior patamar em 20 anos.
PSB: fecha as eleições de 2020 com 18 municípios.
DEM: ganhou em 15 cidades do estado.
PL: ficou com a prefeitura de 10 cidades gaúchas.
PSL: conquistou 7 prefeituras.
Republicanos: elegeu 6 prefeitos.
PSD: com a vitória de Jairo Jorge, vai comandar a prefeitura do terceiro maior colégio eleitoral do estado e outras cinco cidades.
Cidadania: começa 2021 com duas prefeituras.
Podemos: tem um prefeito.
PC do B: com a derrota de Manuela D’Ávila na Capital, não vai governar nenhuma prefeitura.
* O levantamento não considera os municípios com candidaturas sub judice.
Olhar atento à nova classe média
Para o professor, o segredo para entender este cenário é observar a formação da nova classe média. Segundo ele, os trabalhadores do setor varejista mais vinculado ao pequeno comércio são mais avessos a mudanças radicais.
“A peça-chave é a mesma desde 2002, que é a nova classe média. Essa nova classe média baixa, a classe média de varejista, motorista de Uber, pessoal que trabalha na Zona Norte de Porto Alegre, na região de periferia, que está mais vinculado com esse pequeno comércio. Essa galera está com um set de preocupações que tem uma certa aversão à mudança. Ao mesmo tempo é estranho dizer isso quando a gente tem a eleição de 2018 no horizonte, que foi uma eleição tão radical, onde se apostou tanto em uma carta fora do baralho como o Bolsonaro. Essa mudança parece que houve na eleição de 2016, que foi uma eleição de radicalização no nível municipal, de 2018, que foi uma eleição de radicalização no nível federal, para agora, que nós temos uma eleição meio de contemporização”, analisa Pontin.
Além de citar exemplos em outras capitais, Pontin observa que, em Porto Alegre, houve mudança, mas por um caminho mais intermediário no espectro político em relação à atual prefeitura.
“Parece que está todo mundo com muita cautela. Em geral, a eleição municipal no país inteiro indica cautela dos eleitores”, caracteriza.
PT encolhido
A observação não vale, para o professor, para o Partido dos Trabalhadores. A rejeição da eleição, segundo ele, permanece e fez com que o partido encolhesse ainda mais em 2020.
“É curioso porque parece que, no caso do Rio Grande do Sul, o que a gente vê é um baixo apetite para mudança. Em algumas cidades, quem perdeu, pelo que eu consigo ver nas prefeituras grandes, foi o PT”, comenta.
Entre as cidades comandadas pelo partido com derrotas expressivas, Pontin cita Rio Grande, no Sul, e Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana. “Mas, no geral, não tenho visto tantas mudanças grandes no contexto do Rio Grande do Sul de projeto político, pelo menos nesse momento”, aponta.
Vitória parcial do PSDB
O PSDB foi o grande vencedor do segundo turno, conquistando três das cinco prefeituras em disputa: Pelotas, Caxias do Sul e Santa Maria. O governador Eduardo Leite chegou a exaltar isto, no domingo, ao citar cinco prefeituras comandadas pelo partido entre as 10 cidades mais populosas do RS, já que incluiu também Viamão e Novo Hamburgo.
Porém, Pontin observa que a derrota na Capital, em que Marchezan nem sequer foi ao segundo turno, serve de alerta ao governador.
“Se fosse tucano, eu prestaria muito mais atenção no que aconteceu em Porto Alegre do que está acontecendo nas outras cidades. Porque vai ser muito difícil, por exemplo, para o Eduardo Leite ser reeleito sem vencer em Porto Alegre. Vai ser muito difícil pra ele. Aqui já tem um aviso importante pro PSDB no nível estadual. O principal número de votantes no Rio Grande do Sul, que está na Região Metropolitana, não está tão alinhado assim com o PSDB. A Região Metropolitana deu fundamentalmente vitórias pro MDB. Acho que isso indica alguma coisa para as eleições de 2022”, observa.
Vejas os destaques do Bom Dia Rio Grande:
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