Alerta é emitido após verificação da incidência de casos de síndrome respiratória aguda grave nas últimas três e seis semanas. Regiões Norte e das Missões apresentam piores indicadores. Especialista fala em risco de terceira onda da pandemia no estado. Atendimento em ala do Hospital de Clínicas em Porto Alegre
HCPA/Divulgação
Um estudo semanal da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que cinco das sete macrorregiões do Rio Grande do Sul apresentam tendência de aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Parte da incidência da doença ocorre em razão da contaminação por coronavírus, explica a instituição.
O cenário mais preocupante é visto nas regiões Norte, que engloba as regiões Covid de Erechim, Passo Fundo e Palmeira das Missões, e Missões, com Cruz Alta, Ijuí, Santa Rosa e Santo Ângelo.
Segndo a Fiocruz, ambas as localidades têm sinal forte de alta nos casos em longo prazo, ou seja, nas últimas seis semanas. Isso significa que a probabilidade de crescimento foi superior a 95%.
Na avaliação do epidemiologista Pedro Hallal, os indicadores não surpreendem. O professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) fala no risco de uma terceira onda da pandemia no RS.
“É bastante normal que a gente veja esse aumento de casos. Infelizmente, essa terceira onda gaúcha vai chegar antes do que seria previsto, porque a gente insiste em desafiar o vírus, em vez de contê-lo”, alertou.
A Região Norte também apresenta sinal moderado de crescimento de registros de SRAG, superior a 75%, no curto prazo, em três semanas.
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As macrorregiões Metropolitana (Porto Alegre, Guaíba, Canoas, Novo Hamburgo, Taquara e Capão da Canoa) e Sul (Pelotas e Bagé) estão com sinal moderado de crescimento nas tendências de curto e longo prazo. Já a macrorregião Serra (Caxias do Sul) apresenta com sinal moderado de crescimento na tendência de longo prazo.
Por fim, as regiões Centro-Oeste (Uruguaiana e Santa Maria) e dos Vales (Cachoeira do Sul, Lajeado e Santa Cruz do Sul) apresentam estabilidade na incidência de SRAG nos cenários de curto e longo prazo, informa a Fiocruz.
Monitoramento
No sistema 3 As de Monitoramento do governo do estado, as regiões de Cruz Alta, Ijuí, Passo Fundo e Santo Ângelo já precisaram enviar planos de ação, o patamar mais alto nos níveis de Aviso, Alerta e Ação. Além delas, Cachoeira do Sul, na macrorregião dos Vales, também está no terceiro ponto.
Ainda no Norte e na região Missioneira, Palmeira das Missões e Santa Rosa estão no nível de Alerta, já com planos de ação em confecção. A região de Uruguaiana, no Centro-Oeste, também está nesse patamar.
Na avaliação de Pedro Hallal, o novo modelo do governo colabora com a alta de casos. “O Rio Grande do Sul teve uma catástrofe do meio de fevereiro até o meio de abril e, bastou os números estabilizarem e começarem a cair, que já se reabriu tudo no estado. Colabora ainda com isso, esse novo modelo de distanciamento, que, na prática, as prefeituras mantêm tudo aberto o tempo todo”, apontou.
Em âmbito estadual, a Fiocruz aponta que há estabilidade na incidência de SRAG no Rio Grande do Sul. O boletim Infogripe foi publicado com base em dados da semana epidemiológica de 9 a 15 de maio.
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