O número de acidentes graves envolvendo ciclistas aumentou no Brasil.

Quem vê o consultor Gabriel Kohlmann andando nem imagina que ele chegou a ficar sem andar, há sete meses, depois de um acidente de bicicleta.

“Caí num buraco e bati as costas, e aí deu lesão medular. A medula ficou pressionada, deu lesão medular, o que me causou a perda dos movimentos das partes inferiores. Da cintura para baixo, eu fiquei sem movimento nenhum”, conta Gabriel.

O perfil do Gabriel é o mais comum entre os ciclistas acidentados no país: 80% são homens, e quase metade tem de 20 a 49 anos.

“Um trauma cranioencefálico pode deixar sequelas para a vida toda. As amputações por ferimentos dentro dos acidentes com os ciclistas não são raras, e é outra complicação que você pode ter por toda a sua vida”, afirma Lina Maria Rizzo, professora da faculdade de Medicina da USP.
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O número de ciclistas vítimas de acidentes graves de trânsito vem subindo ano a ano. As internações no SUS chegaram a 16 mil em 2021. Para o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, muitas lesões poderiam ser evitadas com o uso do capacete.

“O capacete não é obrigatório no Brasil, mas evidências científicas comprovam que ele salva vidas, porque, com certeza, caso ocorra um sinistro de trânsito, eles vão ter menos chance de ter lesões graves e óbitos nas estradas”, diz Antônio Meira, presidente da Abramet.
Com a pandemia, algumas pessoas trocaram o transporte público pelas bikes. Tem também mais entregadores nas ruas, e muitos deles usam a bicicleta para trabalhar.

Com mais ciclistas circulando por aí, não foi só a quantidade de acidentes que aumentou, mas a gravidade deles também. Nesses casos, o melhor sempre é chamar logo o socorro e evitar mexer na vítima.

“Pedir ajuda acaba auxiliando muito mais do que você tentar mexer, tentar manusear, ajudar aquela pessoa que está lá vitimada no asfalto”, afirma Antônio Meira.
Faz uns 20 anos que Rodrigo anda em São Paulo mais de bicicleta do que de carro. Ele diz que a vida do ciclista já foi mais perigosa na cidade, antes das ciclovias, mas ainda tem muito para melhorar.

“Quando a gente tem uma estrutura eficiente de proteção, fica tudo mais fácil. Mas quando a gente tem que andar na rua junto com os outros veículos, os motoristas precisam aceitar a nossa presença e desviar como se a gente fosse um outro veículo do mesmo tamanho, mudando de faixa. A gente precisa evitar que os atropelamentos aconteçam”, afirma Rodrigo.

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