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Uma cidade que cresce rápido nem sempre cresce bem

Boris Miroven
Boris Miroven 8 de setembro de 2026
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Guilherme Campos
Guilherme Campos
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Crescer rápido não é a mesma coisa que crescer bem. Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário e agro, observa que a Amazônia tem exemplos claros dessa diferença: cidades que ganharam população em ritmo acelerado, mas cuja infraestrutura só correu atrás anos depois, deixando marcas difíceis de reverter.

Contents
Infraestrutura antes da ocupação, não depoisLegislação de uso do solo atualizada com frequênciaSistema viário desenhado antes da expansãoÁreas verdes e institucionais reservadas com antecedênciaO que isso significa para o momento atual de Roraima?

Manaus é o caso mais conhecido da região, com um crescimento urbano intenso a partir da segunda metade do século passado, que trouxe, junto do desenvolvimento econômico, problemas de infraestrutura que ainda hoje pesam na rotina da cidade. Existem alguns elementos que costumam separar um crescimento urbano ordenado de um crescimento apenas acelerado, e eles se repetem de região para região.

Infraestrutura antes da ocupação, não depois

O primeiro elemento é a ordem das coisas. Quando ruas, redes de água e esgoto chegam antes dos moradores, o bairro nasce funcional, sem precisar interromper o dia a dia de quem já mora ali para abrir valas ou trocar tubulação.

Nesse contexto, Guilherme Campos frisa que, quando a ocupação chega primeiro e a infraestrutura vai atrás, o resultado costuma ser obra corretiva, mais cara e mais lenta do que teria sido se planejada desde o início, porque cada intervenção passa a competir com casas, muros e ruas já construídas no caminho.

Legislação de uso do solo atualizada com frequência

Plano diretor e leis de zoneamento definem o que pode ser construído em cada área da cidade. Guilherme Campos demonstra que, quando essa legislação fica desatualizada por muito tempo, a cidade cresce sem instrumento legal capaz de orientar onde a ocupação deveria ou não avançar, e passa a reagir a decisões já tomadas no terreno em vez de orientá-las.

Boa Vista, por exemplo, levou 17 anos entre uma revisão e outra do próprio plano diretor, um intervalo longo para uma cidade que, nesse período, seguiu recebendo população nova todos os anos, com o desenho urbano tentando alcançar uma realidade que já tinha mudado.

Sistema viário desenhado antes da expansão

Ruas largas o suficiente para o trânsito futuro, cruzamentos pensados com antecedência e conexões entre bairros novos e antigos custam muito menos quando vêm no projeto original do que quando são abertas depois, desapropriando terrenos já ocupados para alargar via.

Guilherme Campos
Guilherme Campos

Guilherme Campos aponta que esse é um dos custos mais subestimados do crescimento desordenado, porque ele só aparece anos depois, quando o trânsito já virou parte do cotidiano da cidade e reverter o desenho das ruas custa muito mais do que teria custado prevê-lo.

Áreas verdes e institucionais reservadas com antecedência

Escola, posto de saúde, praça e área de lazer precisam de terreno reservado desde o desenho inicial do bairro. Depois que os lotes são vendidos e ocupados, encontrar espaço para esses equipamentos fica caro ou, em muitos casos, praticamente inviável, porque cada metro quadrado disponível já tem dono e uso definido.

Esse é, talvez, o elemento mais fácil de negligenciar no início de um projeto, justamente porque seus efeitos só aparecem quando o bairro já está consolidado e a comunidade sente falta do que não foi reservado a tempo.

O que isso significa para o momento atual de Roraima?

Roraima ainda está no meio desse processo de crescimento, o que representa uma vantagem que cidades mais antigas da região já perderam: dá para planejar antes de ocupar, em vez de corrigir depois de ocupado.

Para Guilherme Campos, essa é a diferença que vai definir, daqui a algumas décadas, se as cidades do estado vão se parecer mais com os exemplos de crescimento ordenado ou com os casos amazônicos que ainda pagam a conta de um crescimento que veio antes do planejamento. Quem quiser acompanhar mais reflexões sobre desenvolvimento urbano pode seguir o perfil @guicamposvlg no Instagram.

 

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