Produtores rurais ampliam o uso da Cédula de Produto Rural para antecipar recursos vinculados à futura entrega de gado, leite e derivados, instrumento que já sustenta parte relevante das carteiras de Fiagros voltadas à pecuária
A Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que permite ao produtor rural captar recursos antecipadamente em troca do compromisso de entregar determinada quantidade de produto agropecuário no futuro, ou de pagar o valor correspondente em dinheiro, deixou de ser um instrumento restrito às lavouras de grãos para ganhar espaço crescente entre produtores da cadeia da pecuária de corte e de leite. Com a expansão dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais, os Fiagros, esse tipo de operação passou a contar com uma estrutura de captação mais ampla, capaz de conectar produtores rurais a investidores institucionais interessados em exposição ao agronegócio.
Diferentemente da CPR tradicional de grãos, cuja liquidação costuma estar atrelada a uma única safra anual, a CPR de pecuária lida com um ciclo produtivo distinto, que varia conforme o objetivo da operação, seja para o engorde de gado destinado ao abate, seja para a produção contínua de leite ao longo do ano, o que exige metodologias de análise de risco específicas para cada modalidade.
Ciclo biológico do rebanho exige metodologia própria de análise
A estruturação de um fundo lastreado em CPRs de pecuária depende da compreensão de variáveis que não estão presentes em operações de crédito estruturado ligadas a outros setores, como o ciclo biológico de crescimento do rebanho, o risco sanitário associado à criação de animais e a volatilidade do preço da arroba do boi e do litro do leite ao longo do período entre a contratação da operação e sua liquidação.
Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, a experiência acumulada em operações de crédito estruturado para o agronegócio é o que permite à companhia adaptar seus processos de análise às particularidades da pecuária.
“A CPR de pecuária exige um nível de especialização diferente da CPR tradicional de grãos, porque estamos lidando com um ativo biológico, sujeito a variáveis como sanidade animal e ciclo de engorda, além da própria volatilidade de preço da arroba e do litro do leite. Um administrador fiduciário que atua nesse segmento precisa ter processos de auditoria de lastro capazes de acompanhar essas particularidades sem perder o rigor técnico exigido em qualquer operação de crédito estruturado”, afirma o executivo.
A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados voltados ao agronegócio, o que inclui operações lastreadas em Cédulas de Produto Rural de diferentes culturas e cadeias produtivas, entre elas a pecuária de corte e de leite, aplicando a esses ativos os mesmos processos de auditoria de lastro e conciliação utilizados em fundos de outros segmentos sob sua administração.
Rastreabilidade do rebanho ganha peso na estruturação das operações
A crescente exigência por rastreabilidade na cadeia da pecuária brasileira, impulsionada tanto por mercados importadores quanto por processadores que buscam certificar a origem do produto, também influencia a estruturação de operações de crédito lastreadas em CPRs de pecuária. Sistemas de identificação individual de animais e de acompanhamento da movimentação do rebanho entre propriedades passam a compor, cada vez mais, a documentação analisada por administradores fiduciários antes da aceitação de uma CPR como lastro de um fundo.
Essa camada adicional de informação contribui para reduzir a assimetria entre o que é declarado pelo produtor no momento da emissão da CPR e a real capacidade produtiva do rebanho, fator relevante para a segurança da operação tanto para o investidor quanto para o produtor que capta os recursos.
A relação entre produtores e frigoríficos ou laticínios também entra na avaliação de uma operação lastreada em CPR de pecuária, uma vez que boa parte das entregas físicas previstas nesses contratos ocorre diretamente entre o produtor rural e a indústria processadora. Um administrador fiduciário atento a esse relacionamento consegue identificar com mais precisão a probabilidade de que a entrega contratada de fato se concretize nas condições e no prazo originalmente pactuados, reduzindo a chance de que fatores logísticos ou comerciais externos ao produtor comprometam a liquidação da operação.
A experiência da ID CTVM em fundos multissetoriais, que reúnem atualmente mais de 550 estruturas ativas sob sua administração, contribui para que a companhia adapte com agilidade seus processos de auditoria de lastro a novas modalidades de CPR à medida que a securitização avança para diferentes elos da cadeia pecuária.
Perspectivas para o crédito estruturado na pecuária brasileira
Com a pecuária brasileira mantendo relevância como um dos principais elos do agronegócio nacional e a indústria de Fiagros ampliando sua atuação para além das culturas de grãos tradicionalmente associadas ao instrumento, a tendência é que operações lastreadas em CPRs de pecuária ganhem espaço crescente dentro do crédito estruturado voltado ao setor rural. Para administradores fiduciários especializados em agronegócio, acompanhar essa diversificação deve seguir como um fator relevante para ampliar o alcance do crédito privado entre produtores rurais de diferentes portes e regiões do país, em um movimento que tende a consolidar os Fiagros como uma via de captação cada vez mais plural, capaz de atender desde grandes produtores integrados a cadeias de exportação até pecuaristas de médio porte voltados ao mercado interno.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.
