Setor reivindica parte de vale-alimentação, horas-extras e 13º salário, que eles afirmam não ter sido pago. Não há ônibus circulando na cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre. Trabalhadores do transporte público de Canoas entram em greve nesta quarta (23)
Os rodoviários de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, entraram em greve nesta quarta-feira (23). O setor reivindica parte de vale-alimentação, horas-extras e 13º salário, que eles afirmam não ter sido pago.
A paralisação fecha a saída de ônibus da garagem, por isso, não há veículos de transporte coletivo circulando dentro da cidade. A Sogal é a única empresa que atua no município.
“O fundo de garantia já faz seis anos que eles não depositam, pra mais”, afirma Peter Silva, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Canoas (Sitrocan).
A Sogal afirma não ter recursos financeiros próprios para quitar as dívidas, já a prefeitura de Canoas afirma que não pode fazer muito além de sua competência, por se tratar de uma empresa privada (leia abaixo as manifestações completas).
Rodoviário em frente a garagem da Sogal em Canoas fazendo greve nesta quarta-feira (23)
Alfredo Pereira/RBS TV
Segundo a Sitrocan, em assembleia da categoria realizada no último sábado (19) foi decidido que se iniciaria uma greve caso a Sogal não desse um retorno sobre as reivindicações em até 72 horas. Na segunda-feira (21), os rodoviários fizeram movimentações para chamar atenção aos motivos que levaram a greve.
Já na terça-feira (22), houve uma audiência com a empresa, sindicato, prefeitura e Ministério Público, mas nada foi decidido. De acordo com o sindicato, a Sogal alega que não tem dinheiro para pagar.
Como não houve acordo, foi decido em assembleia realizada, nesta madrugada, pela paralisação.
“A categoria vai manter a greve até ter uma resposta positiva”, disse Peter.
Nota da Sogal
A empresa Sogal, através de sua diretoria, vem por meio desta mensagem manifestar sua posição para a comunidade canoense, frente a possibilidade de realização de movimento grevista no sistema de transporte coletivo.
Antes de mais, importante reafirmar que o ano de 2020 foi e está sendo muito difícil para todos, em especial para a classe trabalhadora e os setores considerados essenciais, como o transporte coletivo.
Enfrentamos esta pandemia e conseguimos chegar até este momento, mas precisamos esclarecer alguns pontos para que não pairem dúvidas sobre a real situação do transporte coletivo em nossa cidade .
Com efeito, é forçoso reconhecer que o 13° salário não será pago na integralidade até o final do ano, como ocorreu ultimamente.
O Município de Canoas, sensível ao problema, assumiu o compromisso de destinar R$200.000,00 na próxima segunda-feira para pagamento desta parcela, que corresponde a cerca de 25% da verba devida aos funcionários, assumindo a empresa a obrigação de pagar o restante em 2021.
A proposta, porém, não foi acolhida pelos trabalhadores, contrariando vários outros acordos coletivos de trabalho formalizados entre outras categorias funcionais, cujo pagamento se dará, na maioria dos casos, em até 6 parcelas ao longo do ano de 2021, havendo consenso entre as partes envolvidas.
A Prefeitura de Canoas assumiu este compromisso porque reconhece o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão do transporte coletivo, processo este que tramita no ministério público estadual (PA 00739.000018/2019) ,com este montante devido a empresa, poderemos quitar estas parcelas de forma antecipada já em janeiro de 2021 e equilibrar o contrato de concessão .
A situação vivenciada pela Sogal não se diferencia das demais empresas do setor, a exemplo de Porto Alegre, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo ,Sapucaia do Sul, Dois Irmãos e demais cidades da região metropolitana, que foram auxiliadas com o aporte financeiro público para fazer frente as debilidades econômicas dos contratos de concessão.
Quer dizer: atualmente a empresa não tem recursos financeiros próprios para fazer frente a esta obrigação.
Para deixar clara a grave situação do sistema de ônibus, importante dizer que estamos operando com somente 45% da demanda de passageiros, cuja arrecadação não cobre os custos da folha dos funcionários , aquisição de combustível, pneus e demais insumos.
Com esta receita não há como pagar o 13° salário integralmente até o final do ano. Há necessidade de compreensão, de bom senso por parte da classe trabalhadora.
O quadro mais dramático é o do confronto, da greve, da paralisação dos serviços, que determinará um grave abalo na arrecadação da empresa, inviabilizando, por completo, a programação de pagamentos do mês de dezembro
Não se trata de não querer pagar a verba devida aos funcionários, mas do pagamento dentro das reais condições, da possibilidade da transportadora.
A empresa, como é de conhecimento geral, vem realizando enorme esforço para arcar com estas obrigações.
Entendemos, assim, que a decisão de paralisação deve ser melhor refletida pela maioria dos trabalhadores.
Primeiro porque causa grave colapso na comunidade canoense, que ficará desprovida de atendimento essencial para deslocamento aos serviços básicos, com nefastos reflexos no comércio, indústria e demais serviços locais, impactando negativamente toda cadeia de consumo, frustrando legítimas expectativas.
Depois, porque a greve não gerará os recursos financeiros para pagamento do 13° salário, ao contrário, agravará a situação da empresa e pode colocar em risco os empregos dos nossos 680 funcionários.
O quadro que se desenha é grave e exige compreensão de todos os envolvidos, pelo que contamos com o apoio e consideração neste momento tão difícil.
Nota prefeitura de Canoas
A Prefeitura de Canoas informa que uma audiência ocorreu na manhã desta terça-feira (22) entre a administração municipal, representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Canoas (Sitrocan) e da empresa prestadora do transporte público na cidade. Durante aproximadamente duas horas, a reunião mediada pelo Ministério Público do Trabalho, buscou evitar a greve no transporte público prevista para iniciar nesta quarta-feira.
A Prefeitura de Canoas compreendendo as dificuldades que os trabalhadores do transporte têm enfrentado em meio à pandemia, disponibilizou o recurso de R$ 200 mil para retomada do serviço essencial de auxílio transporte social com a compra de novas passagens às mais de 5 mil famílias beneficiadas.
Tendo em vista que esse recurso não cobriria na totalidade o pagamento do 13º dos trabalhadores, a Prefeitura de Canoas foi comunicada no final da tarde da paralisação dos ônibus a partir desta quarta-feira. Como se trata de uma empresa privada, uma relação direta empregado-empregador, a Prefeitura de Canoas não pode fazer mais do que é a sua competência. Entretanto, buscará uma nova negociação entre as partes para que não ocorra a desassistência à população. Uma nova reunião está marcada para às 11h desta quarta-feira, e contará com a participação de técnicos da Prefeitura para discutir a situação.
Veja mais vídeos do Bom Dia Rio Grande