Atuando inicialmente em Porto Alegre, aplicativo de compartilhamento de carro elétrico também vê oportunidades em Santa Catarina e no Paraná

Hoje, a beebbeep conta com 70 automóveis, mas deve alcançar uma centena em fevereiro. O objetivo é triplicar esse número até 2023 e alcançar a marca de 5 mil carros em 2025

O Sul tem uma relação umbilical com aplicativo de compartilhamento de carros elétricos beepbeep, desde o seu lançamento no ano passado. Inicialmente foi com automóveis fabricados pela Renault, em São José dos Pinhais, no Paraná, que o empreendimento ganhou forma no Brasil. Até por isso os planos são alvissareiros para a região. Com uma estação que demonstra os serviços oferecidos na Praça da Encol, em Porto Alegre, agora a companhia busca investidores para expandir sua atuação. No Rio Grande do Sul, por exemplo, seria necessário um aporte entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões. O retorno do investimento pode vir em até quatro anos. “O mesmo valor seria preciso para atuarmos em Curitiba e Florianópolis”, contou ao Portal AMANHÃ André Fauri, fundador e CEO da beepbeep. O objetivo é interligar Porto Alegre, Gramado e Canela com as outras duas capitais do Sul.

No âmbito nacional, a beepbeep está em tratativas avançadas com grupos de Private Equity que poderão ser anunciadas até janeiro. O aporte virá em boa hora, pois o car sharing deve representar um mercado de US$ 10,3 bilhões em 2025. Estimativas apontam que, dentro de uma década, 10% da frota global será elétrica. Hoje, a beebbeep conta com 70 automóveis, mas deve alcançar uma centena em fevereiro. O objetivo é triplicar esse número até 2023 e alcançar a marca de 5 mil carros em 2025. Fauri acredita em três revoluções que esse segmento pode trazer. A primeira é a economia compartilhada, já presente hoje, mas que pode ganhar ainda mais velocidade no futuro, com o benefício de ser um serviço altamente sustentável, pois não agride o meio ambiente. A segunda é o forte movimento de eletrificação, fato que já ocorre nos Estados Unidos e no continente europeu – tanto é que em alguns países já existem mais carros elétricos do que a combustão. Por fim, completa a tríade a chegada dos carros autônomos, algo a ganhar musculatura com o desenvolvimento das cidades inteligentes e da utilização da tecnologia 5G. “São conceitos inovadores que juntam tecnologia e sustentabilidade, duas características que ganharam destaque com a eclosão do novo coronavírus”, filosofa.

A pandemia, aliás, também jogou luz sobre algumas vantagens do serviço em relação aos concorrentes. Toda a frota funciona no modo “key less” (sem chaves). Basta o motorista pagar pelo aplicativo, ir até o automóvel e apertar um cadeado para abrir as portas. O usuário é identificado pelos dados fornecidos no cadastro de acesso, como selfie, cartão de crédito e carteira de motorista. O sistema tem ligação direta com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) que checa a veracidade dos documentos. Como não há contato físico com nenhum funcionário, o transporte se torna mais seguro, tendo em vista a proliferação do coronavírus. Sem contar que, após cada uso, o automóvel é higienizado por uma equipe especializada. O aplicativo tem, em um ano de operação, 45 mil downloads, 15 mil cadastros e 3 mil usuários ativos.

Outro diferencial é o preço que vai baixando de acordo com o tempo de uso. Uma hora, por exemplo, custa R$ 43,90, porém seis horas significa um investimento de R$ 115,90. A diária é ainda mais em conta: R$ 195,10. Em um deslocamento de Uber entre o aeroporto de Guarulhos (SP) e a zona oeste de São Paulo, o desembolso pode chegar em até R$ 120. O plano livre começa cobrando R$ 0,60 por minuto e a partir de seis horas o valor cai pela metade (ainda é arrecadada uma taxa de desbloqueio de R$ 7,90). “É um valor muito acessível para dirigir um automóvel que custa em torno de R$ 150 mil, que é sustentável, tem seguro incluso e cuja bateria tem autonomia para rodar até 300 quilômetros”, lista Fauri. A recarga da bateria, aliás, é gratuita. Nas rodovias paulistas é fornecida por empresas como EDP e CPFL. No aplicativo do beepbeep também é possível consultar onde há postos de carregadores disponíveis. “No Sudeste há muitos carregadores. Em outras regiões, como o Sul, já está havendo um progresso bem grande nesse sentido, inclusive através de uma rota ligando até outros países do Mercosul”, detalha o CEO.

Em São Paulo os carros elétricos estão disponíveis em mais de 60 locais, como o Shopping Iguatemi, os hotéis Maksoud e Tivoli, assim como em uma rede de prédios comerciais privados. Porém, não é apenas na capital paulista que o serviço é oferecido. Em São José dos Campos, inclusive, a beepbeep tem o primeiro sistema de carro elétrico compartilhado no sistema free float – um determinado perímetro demarcado da cidade onde o automóvel pode ser deixado, algo muito comum em países europeus. O terminal 2 do aeroporto de Guarulhos e o aeroporto de Viracopos, em Campinas, também possuem o serviço. “Apresentamos uma grande inovação com o aumento da capilaridade, pois o usuário pode retirar o carro de qualquer estação de um determinado município onde estamos e devolvê-lo em qualquer estação de outra cidade”, destaca Fauri.