Na comparação com o terceiro trimestre de 2019, queda foi de 4,1%

Mesmo sendo um período de menor movimentação nas atividades ligadas ao campo, a agropecuária cresceu 39,8% no período

A economia do Rio Grande do Sul voltou a crescer no terceiro trimestre de 2020, com alta de 12,9% em relação ao trimestre anterior, a maior variação positiva desde o início da série histórica, em 2002, nesse tipo de comparação. O índice é equivalente ao quatro trimestre de 2016, o pior momento da recessão de 2014. “Isso nos mostra que o caminho ainda será longo para que tenhamos uma recuperação mais robusta”, destacou Martinho Lazzari, pesquisador do Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).

Em relação ao terceiro trimestre de 2019, o resultado do PIB apresentou queda (-4,1%). No período que vai de julho a setembro, o Rio Grande do Sul superou a taxa de crescimento registrada no Brasil, que foi de 7,7% em relação ao segundo trimestre, e ainda diminuiu a diferença quando a referência é igual intervalo do ano anterior, em que a economia do país teve redução de 3,9%. No acumulado de janeiro a setembro, a queda no PIB do RS chega a 8,6%, ante -5% do Brasil.

“Os números do trimestre mostram uma importante recuperação em relação ao período mais crítico da pandemia, que aqui no Rio Grande do Sul coincidiu também com a estiagem. Podemos dizer, no entanto, que é uma recuperação relativa, pois ainda não chegamos ao mesmo patamar em que estávamos ao longo de 2019”, avalia Lazzari.

Na base de comparação do terceiro trimestre com o segundo trimestre, os três segmentos que compõem o cálculo apresentaram altas relevantes. Mesmo sendo um período de menor movimentação nas atividades ligadas ao campo, a agropecuária cresceu 39,8% no trimestre, seguida da alta na indústria (19,7%) e nos serviços (4,2%). Com exceção do setor de Serviços, o Rio Grande do Sul teve desempenho superior ao do país. A principal diferença ocorreu na agropecuária, na qual o país registrou queda de 0,5% no período. Na Indústria, as altas ficaram mais próximas, ainda com vantagem para o Estado (19,7% ante 14,8% do Brasil). Apenas nos Serviços a média do país registrou melhor desempenho (6,3% do país ante 4,2% do RS).

Entre as atividades da Indústria, o maior destaque no período foi para o segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, com alta de 44,1%. O salto foi em razão da base de comparação anterior, pois no segundo trimestre as usinas diminuíram o volume de produção de energia elétrica por causa da estiagem e da parada em diversos setores em razão das normas de distanciamento social.