O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vai se encontrar com o corregedor-geral do Tribunal de Justiça (TJRJ) do Rio de Janeiro, desembargador Bernardo Garcez, na sexta-feira, 20. As informações foram confirmadas pela assessoria do órgão.

Cabe ao Órgão Especial do TJRJ aceitar ou rejeitar a denúncia do Ministério Público estadual (MPRJ) sobre o caso das rachadinhas do gabinete de Flávio Bolsonaro (Republicanos), que ocorreram enquanto ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio. O desembargador Milton Fernandes de Souza foi sorteado para ser o relator do caso.

O desembargador-corregedor, no entanto, não tem qualquer tipo de ingerência sobre um eventual julgamento – caso a denúncia protocolada há duas semanas pelo MPRJ seja aceita, Flávio se tornará réu por peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

O filho do presidente é apontado por comandar um esquema de corrupção que desviava a maior parte dos salários de funcionários em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) durante mais de uma década de mandato enquanto deputado estadual junto ao PM reformado Fabrício Queiroz – apontado como o operador das manobras ilícitas.

O convite, segundo a Corregedoria, foi feito pela Presidência. A proposta é que o órgão, que fiscaliza a atividade de juízes e desembargadores, “integre o Comitê de Modernização de Ambiente e Negócios”.

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Outros assuntos institucionais serão tratados, mas o teor do que será discutido não foi revelado. Não há informação sobre o horário da reunião.

Na denúncia contra Flávio Bolsonaro, os promotores apontam que ele teria desviado R$ 6 milhões ao longo do esquema. Três núcleos operavam no gabinete da Alerj, segundo o MP do Rio: o político, representado pelo próprio filho do presidente, o operacional – que era executado por Queiroz e Miguel Angelo Braga Grillo – e o executivo, com 12 funcionários-fantasmas.

Entre eles, estão a mãe e a ex-mulher do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, respectivamente Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa.

A defesa de Flávio nega todas as acusações imputadas pelo MPRJ.

Procurada por VEJA, a assessoria do presidente Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o encontro.

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