Ossatura da região do sacro, na parte inferior do corpo dos animais, foi encontrada em São João do Polêsine, e ajuda a explica a evolução da espécie. Reconstituição artística do dinossauro Buriolestes e do sacro, fóssil estudado pelos pesquisadores de Santa Maria
Márcio L. Castro
O grupo de paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na Região Central do RS, publicou recentemente a descoberta de um fóssil que ajuda a desvendar a linha evolutiva dos dinossauros.
O fóssil encontrado é uma estrutura óssea chamada sacro, encontrada no sítio arqueológico de Buriol, em São José do Polêsine, também na Região Central. O estudo foi registrado em um artigo publicado no periódico do Journal of Anatomy.
“As vértebras da região do sacro são muito importantes na evolução dos dinossauros, pois elas, juntamente com a região pélvica, são responsáveis por sustentar uma parcela importante da massa do animal”, afirma Débora Moro, autora que lidera o estudo.
O fóssil encontrado tem mais de 230 milhões de anos. A descoberta adiciona elementos ao estudo evolutivo dos animais, ao rastrear a anatomia da estrutura.
“Há uma grande variabilidade na estrutura sacral dentro do grupo, e o fóssil que acabamos de descrever nos ajuda a entender como essas vértebras evoluíram ao longo do tempo”, explica a paleontóloga.
O fóssil descoberto pelos pesquisadores provavelmente pertenceu à espécie Buriolestes schultzi, um dos dinossauros mais antigos do mundo, encontrado no Sul do Brasil.
Embora pequeno, esse dinossauro é um precursor da linhagem dos sauropodomorfos, que incluiu os maiores animais terrestres da história do planeta, como o Brontosaurus e o Brachiosaurus.
Os pesquisadores explicam que, com a evolução, novos elementos foram adicionados à região sacral. Dessa forma, a anatomia dos animais foi ganhando cada vez mais vértebras, o que fez com que as espécies fossem aumentando de tamanho.
O paleontólogo Flávio Pretto, co-autor do estudo, diz que essa característica foi crucial para que os dinossauros, em especial os sauropodomorfos, atingisse seu “tamanho colossal”. “De certa maneira, parece que o arcabouço anatômico que permitiu isso já estava presente nos pequenos dinossauros da Quarta Colônia”, compara Flávio.
O Buriolestes schultzi foi apresentado em 2016, também pelos pesquisadores da UFSM. Recentemente, os paleontólogos apresentaram a reconstituição do cérebro do animal pré-histórico.
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