Faleceu nesta terça-feira (17), aos 82 anos, Oskar Coester, conhecido pela invenção do aeromóvel. Ele morreu de causas naturais, em casa junto com a família. Ele se recuperava de um AVC, sofrido em maio, e não resistiu à complicações em decorrência da doença. Nascido em Pelotas, deixa esposa, quatro filhos e dez netos.

Segundo a família de Coester, familiares e amigos se reunirão, respeitando os protocolos sanitários, para uma homenagem ao inventor do aeromóvel e fundador do Grupo Coester.

Ainda de acordo com familiares, a despedida de Coester ser em formato de carreata, às 19h, a partir da linha que nunca chegou a funcionar, na avenida Loureiro da Silva. A cremação está marcada para as 10h desta quarta-feira, restrita à família, mas com transmissão pelo Crematório Metropolitano da Capital.

Trajetória 

Oskar Hans Wolfgang Coester nasceu na cidade de Pelotas, em 26 de setembro de 1938. Seus pais, imigrantes alemães, estavam estabelecidos no Brasil havia poucos anos e se adaptavam à vida do interior do Rio Grande do Sul.

Seu interesse pelo transporte e pela tecnologia começou ainda quando criança, quando, segundo a família, fugia da sala de aula para ver os trens na estação de Pelotas e desmontava e remontava relógios para entender seu funcionamento. Aos quatorze anos, passou no exame de admissão na Escola Técnica de Pelotas, em 1952.

A escola, fundada na década de 1940 pelo então presidente Getúlio Vargas, fazia parte do plano de incentivo do governo à indústria e à tecnologia nacional. Ao longo de sua formação, Coester passava longas horas nas oficinas da escola, muitas vezes madrugada adentro, absorto no trabalho com motores e em diferentes experimentações científicas.

A fixação pela mecânica o rendeu o apelido de “O Cientista” entre os professores e colegas, e resultou na criação de um torno e de um motor à combustão interna de dois cilindros.

Oskar Coester desenvolveu também interesse pela aviação e, em um dos galpões da Escola Técnica de Pelotas, projetou e construiu um protótipo de pulso jato. O acionamento do protótipo, às duas da manhã, gerou um barulho ensurdecedor na vizinhança, que acordou alarmada com o experimento.

No decorrer de sua formação, Oskar Coester cursou modelagem, fundição, mecânica e elétrica. Formado e com dezessete anos, ele deixa Pelotas e vai para Porto Alegre, com o intuito de ingressar na Varig (Viação Aérea Riograndense) por meio da Evaer (Escola da Varig). Inicia sua carreira como técnico em mecânica e eletrônica de aviões.

No final dos anos 1950, a indústria mundial de aviação passava pela transição da tecnologia de hélice para a de jato. A Varig se destacou globalmente como uma das protagonistas neste processo, com a incorporação de dois Boeing 707 a sua frota.

Assim que entrou para a Varig, Oskar Coester foi designado para a equipe técnica e, com 18 anos, foi a Renton, nos Estados Unidos, receber treinamento na sede da Boeing. A experiência adquirida como gestor da área de manutenção técnica de aeronaves da Varig, na época uma das maiores e mais conhecidas companhias aéreas privadas do mundo, foi de grande importância em sua carreira.

Em 1960, Oskar Coester funda a ICR (Industrial e Comercial Riograndense), onde trabalhava nas horas vagas e finais de semana, desenvolvendo projetos eletrônicos diversos. Em 1970, após a morte de Rubem Berta – presidente da empresa e com quem Oskar Coester tinha relação de mentoria – ele decide deixar a Varig e passa a dedicar-se exclusivamente à sua empresa e seus projetos.

Aeromóvel

O desenvolvimento do Projeto Aeromóvel, que lhe trouxe notoriedade internacional, teve sua gênese ao final da década de 1960, quando se deslocava do bairro do Leme, onde morava no Rio de Janeiro, até o Aeroporto Internacional do Galeão. Ele percebeu que despendia mais tempo percorrendo 20 km em terra do que os 1.124 km que separam o Rio de Janeiro de Porto Alegre por via aérea. Ele conceberia um meio de transporte inovador em via elevada, imune a congestionamentos, totalmente automático, com veículos leves impelidos pela força do ar.

Partindo de um singelo protótipo para um ocupante nos galpões de sua fábrica, passaria em apenas três anos para uma linha de demonstração na Feira de Hanôver, na Alemanha, um dos grandes destaques daquele evento. Passados mais três anos, em 1983, inauguraria a tão conhecida linha piloto no Centro da capital gaúcha, junto à orla do Guaíba, atraindo a atenção de especialistas do mundo inteiro.

Em 1989, ao lado da esposa, Elida Coester, e do presidente da Indonésia, Soeharto, participou da abertura da linha do Sistema Aeromóvel em Jacarta, lá conhecido como TitihanSamirono, o “menino do vento”.

Seu projeto em Porto Alegre consolidou-se em 2013 com o início das operações do seu invento no Aeroporto Internacional Salgado Filho, que já transportou mais de sete milhões de passageiros. Hoje são dezenas de projetos em mais de 16 países, incluindo uma linha na Colômbia e na ligação do Aeroporto Internacional de Guarulhos.