O número de homicídios no Brasil voltou a crescer, após uma queda recorde em 2019. A alta foi de 7,1% no primeiro semestre de 2020, quando comparado com o mesmo período do ano passado, de acordo com anuário publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta segunda-feira (19). As estatísticas incluem latrocínios e lesões corporais que acabaram resultando em morte.

O levantamento frustra quem esperava uma redução nos assassinatos durante a pandemia, por conta de as pessoas passarem mais tempo em casa. A expectativa era de redução, até porque 2019 teve uma queda de 17,7% nos homicídios em relação ao ano anterior (a maior, desde 2011).

A estatística do semestre também frustra os defensores do uso de armas para defesa pessoal. Eles não consideram que exista uma relação direta entre mais armamento e mais homicídios e usaram a estatística recente como exemplo: em 2019, o número de registro de armas por CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores) aumentou 55,7% em relação ao ano anterior, enquanto o número de homicídios caiu 17,7%. Só que a venda de armas continua em aceleração e, agora se sabe, os assassinatos voltaram a crescer.

É preciso esperar a estatística até o final do ano para ver se a relação direta entre venda de armas e homicídios vai se consolidar (como defendem os antiarmamentistas) ou não existe essa relação (como acreditam os defensores do direito de se armar).

Outra faceta do levantamento mostra que a alta no número de assassinatos é bastante desigual no país. O crescimento é puxado pelos Estados do Nordeste, com o Ceará liderando o ranking nacional: 96,6% de aumento no primeiro semestre de 2020. Especialistas acreditam que parte da alta se deve à crise na segurança pública naquele Estado em fevereiro, com a greve da PM.

Em 14 Estados, o número de assassinatos teve alta. Já nos demais, caiu. E o Rio Grande do Sul está nesse grupo de felizardos. O Estado teve queda de 7,2% no número de homicídios, segundo o levantamento. Foram 960 assassinatos no primeiro semestre, contra 1.035 no mesmo período de 2019.

Os gaúchos, aliás, têm vivenciado quedas sucessivas nas estatísticas de homicídios: o ano passado teve a menor taxa da década, com 22,6% de redução em relação a 2018. Entre os fatores que podem explicar estão investimento em delegacias de homicídio, cercamento eletrônico das cidades mais violentas e até pactos de não-agressão firmados pelas facções criminosas.